Biobibliografia  // 

Andrade Albuquerque - Anos 30

Nascido em Lisboa, a 11 de Novembro de 1929, é defensor do princípio de que um escritor nasce com a vocação para escrever, António de Andrade Albuquerque (que usou o pseudónimo de Dick Haskins nas obras do género policial) sentiu inclinação para a produção literária desde a adolescência. Escreveu contos que se perderam no fundo de uma gaveta e no tempo, teceu e orientou os argumentos das aventuras que todos «vivemos» com os amigos na juventude que, de uma forma ou outra, deixa sempre um rasto de saudade, ouviu e nunca esqueceu o que o seu Professor de Português no Liceu de Passos Manuel, em 1942, lhe vaticinou tornar-se um dia escritor, mas ainda viria a hesitar entre a Medicina e a Literatura.

Contudo, o vaticínio do Professor António José Saraiva prevaleceu; Andrade Albuquerque, já casado e trabalhador-estudante na altura, abandonaria o já iniciado curso de Medicina e optaria pela profissão de escritor, embora continuasse, por gosto, em contacto com a ciência médica através de diversos meios.

Em 1955, surpreende-se com a aprovação do primeiro livro que escreveu, O Sono da Morte. Uma semana depois de o ter submetido à apreciação da Empresa Nacional de Publicidade, proprietária de um dos principais jornais portugueses, o «Diário de Notícias». Mas não seria este, afinal, o passo decisivo que iria consolidar a sua profissão de escritor. A colecção na qual o seu primeiro livro iria ser publicado saía ao ritmo de dois a três volumes por ano, o que deu origem a que aquela obra só fosse editada em 1958, ano em que criava a Colecção Policial Enigma e ingressava nas Edições Ática como director e autor da mesma.

Em 1961, foi editado pela primeira vez no estrangeiro – em Espanha e em diversos países da América do Sul – através da Editorial Molino. Em 1963, as editoras alemã Wilhelm Goldmann Verlag, de Munique, e Krimi Verlag AG, de Wollerau, Suíça, contratam oito dos seus livros já então escritos e publicados no idioma original, para publicação na Alemanha, Áustria e Suíça, e o editor Plaza & Janés, de Barcelona, publica dois títulos em Espanha e na América do Sul.

Seguir-se-iam outros países a partir de 1963, França, Itália, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Grã-Bretanha, Irlanda, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Estados Unidos, México, Colômbia, Argentina, Uruguai e Brasil o que, realmente, consolidou a decisão anteriormente tomada de optar pela profissão de escritor.

Ainda na década dos anos sessenta, a RTP – Radiotelevisão Portuguesa – produz e apresenta no programa «Noite de Teatro» a adaptação da sua novela «Fim-de-Semana com a Morte» com o título de O Caso Bardot. A mesma novela, mantendo o título original, é adaptada ao cinema numa co-produção internacional – Portugal, Espanha e Alemanha – filme que foi protagonizado por António Vilar, Peter Van Eyck e a italiana Letícia Román, dobrado em diversos idiomas e apresentado em vários países, entre eles os Estados Unidos.

É homenageado em Paris em 1963 e eleito membro do Clube dos Escritores Franceses de Literatura Policial e de Espionagem.

Em 1964, monta uma editora – Edições Dêagá – que mantém durante dez anos publicando 5 colecções mensais: Policial, Espionagem, Ficção Científica, Romance e Histórica.

Em 1975, dada a boa aceitação dos seus livros traduzidos em alemão e publicados na Alemanha, Áustria e Suíça, tem um encontro em Frankfurt com o Director da Televisão da ARD - Süddeutscher Rundfunk Stuttgart, que estava interessada em comprar uma série de 13 episódios produzida por si e baseada nos seus livros publicados na Alemanha. Regressado ao seu país, o período de profundas mudanças de ordem política não o favorece no sentido de conseguir o apoio financeiro, técnico e artístico indispensável – inclusivamente da televisão oficial - para assumir a responsabilidade de uma produção que seria paga por cerca de cinco milhões de marcos.

Em 1979, assina um contrato como produtor externo com a RTP – Radiotelevisão Portuguesa – e produz uma série de 12 filmes baseados nas suas obras, que foram exibidos nos anos oitenta.

No final da década de oitenta, regressa à sua actividade literária. A Editora Europress publica uma edição do seu livro O Isqueiro de Oiro e a Editora Ulisseia publica, em 1990/91, O Espaço Vazio, O Sono da Morte, Obsessão, Labirinto, O Fio da Meada e Premeditação .

Em 2000, as Edições ASA publicam na sua Colecção «Noites Brancas» o seu romance thriller A Embaixadora e, no mesmo ano, assina um contrato com o autor para reeditar todas os seus livros do género policial – 20 títulos – numa colecção intitulada Obras de Dick Haskins.

O Papa Que Nunca Existiu - O Expresso de Berlim - Capas

Usando o seu próprio nome, escreve em três anos e meio e em simultâneo, os seus dois primeiros romances fora do género policial, O PAPA QUE NUNCA EXISTIU e O EXPRESSO DE BERLIM que, apesar de serem enredos distintos, têm uma relação «indirecta» entre si. Foram ambos publicados pelas Edições ASA em 2007.

Em Maio de 2008, é-lhe atribuída a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores.

Os seus livros foram publicados e reeditados em Portugal por Editorial Notícias, Ática Editora, Edições Dêagá, Editorial Verbo/Ulisseia e Edições ASA, S.A. , além de diversos contos editados na Imprensa Portuguesa e Argentina.

Publicado em 30 países estrangeiros desde a década dos anos sessenta pelos editores Editorial Molino, Plaza & Janés, Aldo Garzanti Editore, Wilhelm Goldmann Verlag, Krimi Verlag AG, Born Uitgeversmij, West Print AG, Angyra Publishing House, Presses Internationales, Columba Magazine, Howard Baker Publishers Limited, Malmborg & Hedström Förlags AB e Editora Record .

Todos os títulos DH de Literatura Policial, acima referidos, atingiram diversas edições em Portugal e nos Países Estrangeiros, em média 6 edições por título, atingindo milhões de exemplares.

Actualmente, será publicado em breve, o seu novo livro, «A Metáfora do Medo», o terceiro romance assinado com o seu nome.